Sempre que saio em Vila Real oiço constantemente homens a dizer que as mulheres são umas privilegiadas porque não pagam entrada e ainda têm quatro (ou mais) bebidas de oferta. Depois de anos a ouvir a mesma coisa vezes e vezes sem conta cheguei à conclusão que naquele momento somos sim umas privilegiadas. No entanto, a partir do momento em que pomos os pés na discoteca (ou pseudo) deixamos de o ser. E porquê? É simples.



Em primeiro lugar, temos sim bebidas de oferta mas para as conseguirmos beber, obviamente que as temos de ir buscar. E aqui enuncio o motivo número um para não sermos assim tão sortudas. Sim, porque o facto de termos bebidas leva a que mil e uma mulheres se lembrem de sair à noite, o que resulta em milhares de cotovelos a apunhalarem-nos as costas. Suamos, empurramos, desgrenhamos o cabelo todo, até que finalmente tchanam, temos UMA das QUATRO bebidas (tendo em conta que temos de utilizar sempre o mesmo copo, o processo repete-se mais três vezes). 

Em segundo lugar... eu que peço uma vodka preta com sumo de laranja, bebo sumo de laranja com gelo 
e uma gota de vodka preta.

Tendo em conta que este fenómeno das bebidas grátis ocorre na noite da mulher, os homens, apesar de se armarem durante horas a dizer que não vão, acabam sempre por lá ir parar. O motivo? Ora se não são as bebidas é fácil perceber o que é :) E quem os atura? As pobres mulheres. Neste caso estou a falar no meu caso em particular. É que é sempre a mesma lenga-lenga - "Ai o teu cabelo é tão giro" - , ou então uma nova tão rídicula e surpreendente que fico com uma carinha de sofrimento a olhar para o moçoilo que acabou de abrir a boca.

Depois ainda temos de fazer recadinhos aos amiguinhos quando estes querem fumar e não têm tabaco. E gera-se sempre a mesma mini conversa:

Amigo-Macho: Daniela, vai cravar um cigarro para mim.
Eu: Vai tu!
AM: Oh, mas eu sou gajo, é mais complicado arranjar. Se fores tu arranjas já!

E lá acabo por ir. Analiso os meninos todos durante 30 segundos e tento escolher o melhor peixe do cardume, que normalmente ou não fuma ou é mal encarado, acabando por me restar aquela pobre alminha da qual ninguém quer saber por ter cara de atrasadinho (Deus, perdoa-me) ou por ser um azeiteiro de pior espécie. Mexo no cabelo, peço um cigarro, ele normalmente sorri, diz uma piadola seca, abre o maço et voila. O problema é que depois ando a noite toda a fugir dos meninos simpáticos a quem cravei. Sim, porque na cabeça dos homens, dar um cigarro já significa "queres conversa", ou então "vou aproveitar a deixa para me meter com ela".

Claro que depois também há os olhinhos no decote, as apalpadelas nada disfarçadas no rabiosque, entre outros factores que não me apetece agora enunciar. 

Ah, só mais uma super importante: E as filas para a casa de banho? Bebidas grátis até dar com um pau e depois duas sanitinhas sem papel higiénico nem sabão para lavar as mãos, com 20 mulheres por m2 com caras de fera a micarem-nos com aquele olhar que nos diz "oh estúpida, a seguir sou eu, se te metes à frente mamas no focinho".

Mas claro que não pretendo deixar ficar mal o sexo masculino porque muito sinceramente há meninas que em apenas 30 segundos conseguem denegrir completamente a fama do sexo feminino.

Desculpem lá o desvario das 2h da manhã, mas a verdade é que para mim dizerem que somos privilegiadas quando saímos à noite não me entra na cabeça, pois eu já aturei cada coisa...