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2.03.2010
Francisco Silva, 30 anos, sonhador.
Gosta de apanhar sol na velha varanda das traseiras de sua casa, onde já muitas vezes ficou vermelho como um tomate, comer pasteis de Belém e bolas de Berlim.
Não gosta do cheiro a terra molhada e a gasolina, a chuva forte que se faz sentir quando não tem guarda-chuva e as novelas que a sua mãe vê enquanto faz roupinha de lã para as crianças do orfanato.

15 de Junho de 1988. 16 horas e 16 minutos. Aqui, algures neste enorme parque de diversões, uma pequena criança que se encontra definitivamente na fase de mudança dos dentes come algodão doce cor-de-rosa, afirmando que é melhor que o branco quando o sabor é o mesmo.
No outro lado da cidade, um homem recostado no mais velho banco de um jardim localizado na periferia lê pequenos excertos de um livro de capa desgastada e pequenas anotações escritas a lápis que indicam certas frases dignas de atenção.
"Mensagem", é o que se lê na capa amarelada. 15 de Junho de 1988, 100 anos e dois dias após do nascimento de Fernando Pessoa, o homem que permanece sentado numa pequena mesa do café Brasileira, na rua Garret da capital.
O relato do futebol ouve-se num outro ponto. Não sei qual é o jogo, não ligo muito a isso. Alguém marcou golo e se digo isto não foi por prestar atenção à voz familiar que se fazia ouvir através do velho philips dos anos 50 mas sim pela habitual reacção dos típicos homens de tasca, que as tardes passam ali enfiados, com as cartas, o vinho e as conversas do costume. O philips...Que bonito rádio. Modelo Sagitta como o do bisavô paterno da minha adorada mãe.
E aqui está o sol já a dizer adeus enquanto guardo o pião e o cordel no bolso do casaco remendado. Deu-me vontade de reviver os tempos perdidos. Apeteceu-me prestar atenção.

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