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5.24.2009

Uníssono, Consonância, Harmonia


Sons. Tudo neste mundo de constantes desvarios, acontecimentos incontroláveis e sentimentos quentes e frios é composto por um suave murmúrio ou possante grito sonoro: o som ensurdecedor do despertador, aplausos, instrumentos musicais, um simples estalar de dedos, os carros que passam e deixam um rasto canoro audível no quarto, em noite cerrada.
Até mesmo o silêncio possui som; um som característico, ainda que leve como uma brisa, pois por mais sossegado que seja um local é sempre possível nele ouvir, se prestarmos atenção, meros sons que outrora na confusão não eram audíveis: o palpitar do coração, o tic-tac do relógio onde o ponteiro dos segundos passa a correr, dando voltas e voltas e voltas; a forte respiração, o pestanejar ou ainda o ronronar da barriga esfomeada.
Paro. Atentamente escuto tudo o que me rodeia. Aprecio melodias diversas, sugo sem cessar as diferentes sinfonias. Mas não me alimentam a alma! A sonoridade existente não me alimenta a alma. Não oiço o bater da porta porque não chegas a casa, não dizes o que quero ouvir porque não o podes dizer; não fazes qualquer ruído, não é uníssono, consonância, harmonia.
Permaneço no silêncio inexistente, ouvindo o assobiar do vento, o canto delicado dos passarinhos, as gotas da chuva que batem na vidraça enquanto tento escutar, ainda que seja fruto da minha fértil imaginação, os teus serenos passos que a mim se dirigem.

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